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Eu e o Sabiá

Num galho da laranjeira, sabiá fez o seu ninho
Na árvore mais alta, no meio do pomar
Olhando todo dia o vai-e-vem do passarinho
Também com muito esforço eu construí meu lar

Enquanto o sabiá usava o seu biquinho
Com meus braços fortes levantava as paredes
À noite, já cansado ele dormia sozinho
E eu também dormia, sozinho numa rede

Sabiá, Sabiá
Quanto sofrimento e dor
Sabiá, sabiá
Eu também sofro de amor

Bem cedo de manhã, antes do sol despertar
Seu gorjear abria as portas da imensidão
Cantava na janela até eu levantar
Parece que entendia a minha solidão

O tempo foi passando, terminei a minha casa
Pintei toda de branco, portas de azul-marinho
No entanto o sabiá não batia suas asas
Porque tinha alguém dividindo o seu ninho

Sabiá, Sabiá
Quanto sofrimento e dor
Sabiá, sabiá
Eu também sofro de amor

Fui ver o meu amigo o que tinha acontecido
E era tanta festa no alto da laranjeira
Dois novos sabiás ali tinham nascido
Agora tinha filhos e uma bela companheira

Igual o sabiá encontrei minha amada
E também vivo feliz meu amor ao lado dela
Agora todo dia quando é de madrugada
Feliz o sabiá gorjeia na minha janela

Sabiá, sabiá
Sofrimento acabou
Sabiá, sabiá
Como é bom ter um amor!


Escrito por contato às 17h55
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Eta fuminho bão

Um almofadinha da cidade foi passeá no interior
De ray-ban, carro do ano e falando igual doutor
Entrou numa fazenda e parou numa palhoça
Onde tinham dois caipiras capinando uma roça

Cumprimentou os dois com um jeito arrogante
Os caipiras responderam com um gesto elegante
Abriu a porta do carro, som no último volume
De sapato novo, pisou num monte d’estrume

(Refrão:)
Um caipira olhou pro outro, e falou com gozação
Cumpadre sartei de banda, eta fuminho bão
Eta fuminho bão, eta fuminho bão
Cumpadre sartei de banda, eta fuminho bão

O almofadinha avexado começou a se limpar
Enquanto os dois caipiras morriam de gargalhar
Ele olhou em volta, toda aquela plantação
E falou com voz de bravo “quero falar com o patrão”

Tinha pose de bacana, parecia ter dinheiro
Todo homem da cidade sonha em ser fazendeiro
Olhou para uma égua e perguntou se era cavalo
se o ganso era pato e se o marreco era galo

(Refrão)

Os dois caipiras cochichavam daquela situação
Esse aí não sabe nada de bicho ou plantação
Quem é o senhor?, o almofadinha ficou mudo
Nós mesmo é o patrão, somos o dono de tudo

Ele olhou pros dois matutos, começou a gaguejar
Se quiser vender as terras, diz o preço, vou comprar
Se a gente for vender o preço é um milhão
Então eu compro tudo e pago a prestação

(Refrão)

Pensando bem seu moço, a gente não quer vender
Nóis é aqui da roça, na roça vâmu morrer
Viver lá na cidade é suplício e ilusão
Aqui é o nosso lar, pedaço do coração

O almofadinha triste, tinha perdido o jogo
Ganhou os dois caipira que não eram nenhum bobo
Ligou o motor do carro e fez o pneu rodar
Saiu pela porteira levantando pó no ar...



Escrito por contato às 17h46
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